Apesar de ser uma filosofia antiga, estoicismo se aplica muito bem a conceitos atuais e pode ensinar a ter uma vida mais tranquila
Estoicismo é uma das filosofias gregas clássicas que nasceu no século 3 a.C. com Zenão de Cítio e se desenvolveu ao longo do Império Romano com Epicteto, Sêneca e Marco Aurélio, entre outros pensadores. Essa linha foca em aplicar teorias de forma prática na vida, com reflexões acerca dos problemas cotidianos, racionalização das situações e, sobretudo, equilibrar expectativas e sentimentos. Portanto, apesar de ser um conceito clássico, o estoicismo também se aplica à vida moderna. Afinal, você lida diariamente com problemas, sejam eles internos ou externos, pequenos ou grandes, e a proposta do estoico é aceitar a existência deles.
Não é sobre fingir que ele não existe; mas sim entender a situação e usar a razão para saber o que fazer a respeito. Se você pode controlar, controle; caso contrário, não faz sentido transformar aquilo em dor. Veja, a seguir, como aplicar o estoicismo ao seu dia a dia, analisando as situações cotidianas e refletindo para trabalhar sua percepção das coisas.

Estoicismo e o dia a dia
Como dito acima, o estoicismo é uma filosofia voltada para a vida real, prática. A ideia é aplicar a parte teórica no dia a dia, entendendo melhor como lidar com suas emoções ao trazer à tona a parte racional da situação. Para chegar até aqui, é importante separar duas categorias: as coisas que estão sob nosso controle – o que inclui ações, pensamentos, julgamentos, decisões, entre outros exemplos –, e o que não está sob nosso controle – o ambiente ao seu redor, a opinião de terceiros, o passado e até o que ainda não aconteceu.
A ideia do estoico é focar naquilo que você consegue guiar, ao mesmo tempo em que entende o lugar das coisas externas em cada situação. Questionar-se frente a uma crítica recebida antes de buscar contra-argumentos, por exemplo, é uma ação positiva nesse cenário. Da mesma forma, aplicar outro tipo de expectativa sobre seus resultados, focando em desenvolver suas virtudes, e não esperar o reconhecimento do outro.
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O estoicismo tem como “meta”, ou “objetivo”, alcançar o estado de ataraxia, que é descrita como “a paz de quem governa a si mesmo”, ou seja, uma tranquilidade que não se abala com coisas externas; inerente ao acaso. Vale reforçar que não se trata de ignorar o sofrimento, mas aprender a lidar com ele de forma equilibrada, com a dignidade levantada por Epicteto, por exemplo. E essa linha de pensamento pode ajudar bastante em situações de perda, frustração e impotência.
Ao invés de buscar a solução para algo que não está em suas mãos, a proposta é entender e aceitar aquele momento, aprendendo a viver de forma equilibrada com aquilo, desde as pequenas coisas até as maiores tragédias da vida. Portanto, aplicar o estoicismo requer exercícios diários de reflexão e melhorias pontuais, que vão chegando pouco a pouco. Em algum momento, você pode se ver lidando com problemas de maneira calma e serena sem nem perceber.
Estoicismo é um exercício diário
Algumas ações podem ser tomadas para quem quer mergulhar no estoicismo e encontrar esse lugar de tranquilidade. Um exemplo é trazer para si o conceito de díade estoica: o que está sob o seu controle versus o que não está sob o seu controle. Ao aplicar essa separação na sua realidade, você pode começar a se questionar a respeito do melhor caminho a tomar em situações difíceis: se der para fazer diferente, faça; caso contrário, busque equilibrar suas emoções para passar pelo problema da melhor forma.
Mas a díade estoica não é uma organização de ideias que parte de um problema, e sim um norte para lidar com a vida. As expectativas que você cria em torno de algo que não depende de si, por exemplo, podem influenciar no sentimento de frustração lá na frente. Como aponta Sêneca, o melhor caminho para o estoico é cultivar suas virtudes, e não o resultado. Ao invés de almejar cegamente uma promoção, por exemplo, vale mais a pena desenvolver seu trabalho a ponto de ser impossível não subir na carreira. Com a cabeça focada naquilo que você pode controlar (seu desempenho), você estará em paz consigo mesmo por ter feito tudo que tinha ao seu alcance, independente do resultado (que você não tem como controlar).
Outra prática interessante é montar um diário estoico, ou seja, registrar suas reflexões, decisões e literalmente colocar no papel toda sua linha de raciocínio – a exemplo do que fez Marco Aurélio, autor de Meditações, seu livro de relatos enquanto Imperador Romano. Aqui, vale reforçar a própria base da filosofia: não buscar resultados, e sim trabalhar suas virtudes. A ideia é anotar, diariamente, situações que você viveu e como você viveu. É possível recorrer a algumas perguntas base:
- Aconteceu algo que fugiu do meu controle hoje? O que?
- Qual foi a minha reação? Tomei ações mais racionais ou emocionais?
- O que essa situação me ensinou sobre mim?
- Como eu posso fazer diferente amanhã?
Esse exercício vai fazer você pensar constantemente sobre os caminhos que te fazem sofrer e não fazem sentido quando vistos fora do calor do momento. As emoções são naturais do ser humano, mas saber controlá-las é uma das principais virtudes da filosofia estoica, e a melhor forma de fazer isso é trazendo para si uma análise racional de cada caso.




