Budismo é religião? Conheça origens e ensinamentos de Sidarta Gautama

Primeiro buda da história​ viveu entre 563 e 483 a.C e fundou a religião (e filosofia de vida) que conhecemos hoje

Sidarta Gautama é conhecido como o primeiro buda da história. Nascido em torno de 563 a.C., ele teve contato com as mazelas do mundo j​á mais velho, após ter crescido sob a proteção do pai Sudodana, rei do clã​ Shakya, localizado, à época, onde hoje está o sul do Nepal. Sidarta teve uma vida de palácio, com tudo de melhor, mas foi na percepção da escassez que fundamentou suas ideias. A história conta que buda ficou meditando por anos, trabalhando o conceito de “ascetismo”, ou seja, a prática da simplicidade e a renúncia dos prazeres mundanos. Isso aconteceu após tomar conhecimento da realidade fora do palácio de seu pai​​. Dessa forma, Sidarta alcançou a iluminação e compreendeu o sofrimento, suas causas e também formas de superá-lo, o que o permitiu desenvolver a ideia de Dharma, ou a proteção dos problemas.

Para ele, as situações difíceis têm origem na ignorância, e somente por meio desse aprendizado é possível eliminar essa ignorância para chegar a uma melhor qualidade de vida através do Dharma. Essa é a base do budismo como conhecemos, uma ideologia milenar que vai além da religião e alcança muitas pessoas também como filosofia de vida. Para aplicar seus ensinamentos nos dias de hoje, é ​​possível contar com ideias, reflexões e exercícios que desenvolvem seu desapego dos problemas. Veja, a seguir, um guia completo sobre o budismo de Sidarta Gautama e saiba aplicá-lo nos dias de hoje para melhorar a sua vida.

Fundamentos do budismo de Sidarta Gautama

A filosofia budista começa com Sidarta, e passa muito pela perspectiva do indivíduo a respeito do sofrimento. Para isso, cinco conceitos centrais são trabalhados a partir dos ensinamentos do buda: as Nobres Verdades, que são quatro, o Nobre Caminho Óctuplo, dividido em três áreas, a Impermanência (Annica), o Nao-eu (Anatta), além de Compaixão e Amor-bondade (Karuna e Metta).

Dentro do primeiro conceito, algumas Verdades são consideradas. A primeira, chamada de Dukkha, em sânscrito, trata o sofrimento como algo inerte à vida. Assim como funciona de base para a filosofia budista, ele é​ parte da existência. O indivíduo vai lidar com problemas ao longo da vida, sejam eles físicos, emocionais ou mesmo existenciais, levando ao sofrimento em algum nível. A segunda Verdade trabalhada por Sidarta é a Samudaya, ou seja, o apego. Ele é um dos motivadores do sofrimento.

Outras duas ideias centrais são tomadas como Verdades: o Nirodha, ou seja, o fim do sofrimento, que é algo alcançável justamente a partir do desapego, e o Nobre Caminho Óctuplo como caminho para encerrar suas dores. Chamado de Magga, ele é um conjunto de práticas que pode ser dividido entre Sabedoria, Conduta Ética e Disciplina Mental. Para Sidarta, entender as causas da frustração ou insatisfação em torno do problema, assim como a forma de lidar com esses fatores, é o caminho para a paz interior do indivíduo.

O budismo também chama atenção à Impermanência das coisas, conceito chamado de Anicca em sânscrito. Segundo a filosofia, tudo está mudando constantemente, e resistir ao novo caminho das coisas é perpetuar o sofrimento. A partir disso, é possível seguir à próxima ideia primordial de Sidarta: o Não-Eu, ou Anatta. Não existe um “eu” fixo; a vida é fugaz e o próprio indivíduo segue um fluxo contínuo de experiências diferentes. Por fim, as duas últimas ideias que norteiam a religião budista têm um caráter mais prático: Karuna, ou Compaixão, e Metta, o Amor-Bondade. Ambos destacam a necessidade de tratar o outro com bondade e empatia. Tudo ao seu redor está interligado e atingir a paz é um trabalho constante de interdependência.

“O que somos é consequência do que pensamos”

Sidarta Gautama

Como o budismo pode ajudar você ​nos dias de hoje?

Apesar de ter vivido durante o século ​5 a.C., Sidarta Gautama deixou como legado suas reflexões e aprendizados a respeito da vida, utilizando o sofrimento como um sentimento que pode ser tomado como ponto central de análise das situações​. Ora, se o sofrimento está ligado ao apego, deixar de se importar com determinadas coisas, pessoas e perspectivas, sobretudo, permite ter um controle maior das suas emoções.​ Para por isso em prática, a filosofia budista aposta no Nobre Caminho Óctuplo​, buscando alcançar suas três ideias-base: Sabedoria, Conduta Ética e Disciplina Menta​l.

Ao se deparar com problemas do dia a dia, um budista pode colocar as situações em perspectiva: estou apegado a essa questão?​ Por que priorizar o sofrimento aqui? Entender os motivos por trás de suas frustrações ​é entender a si mesmo – portanto, caminhar rumo à paz interior. É​ importante entender que as coisas mudam, e uma situação difícil vai passa​r.

Da mesma forma, o budista vai basear suas expectativas em metas bem definidas (em valores, e não matéria), assim como evitar conflitos desnecessários e buscar um comportamento ético e responsável. Os ensinamentos de Sidarta passam ainda pelo cuidado com corpo e mente, buscando uma atenção plena (mindfulness) e foco, estimulando​ a meditação​ e o combate a vícios e costumes nocivos à saúde. Em outras palavras, a filosofia budista alinha mente, corpo e alma para alcançar uma vida melhor. Saber o que te faz mal e evitar se aproximar disso é tão importante quanto aprender a lidar melhor com problemas. Buscar o desapego para não se frustrar vai ajudar tanto quanto evitar comportamentos que afetem o outro. No final das contas, é sobre viver com clareza, equilíbri​o e compaixão.

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Yuri Hildebrand
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