Filosofia de vida surgiu como prática espiritual com o budismo e pode ser muito útil para enfrentar problemas e evitar sofrimentos desnecessários
Mindfulness significa basicamente a prática da atenção plena, tanto em si quanto nos desafios da vida. O conceito nasceu com o budismo de Sidarta Gautama e é parte essencial para a religião na busca pela paz interior. Uma das ideias centrais no Nobre Caminho Óctuplo iluminado por Sidarta, o Mindfulness fala muito do indivíduo, que tem no Dharma a missão de agir corretamente e também trabalhar seu foco em atividades cotidianas, dificuldades, entre outros exemplos. A meditação, por exemplo, é o caminho para a prática do Mindfulness, por meio do qual é possível acessar reflexões sobre a finitude da vida, a impermanência do eu e suas dores, para, assim, atingir a verdadeira libertação do sofrimento.
No contato com o Ocidente, o conceito de Mindfulness vem como terapia, como ferramenta para enfrentar dores do cotidiano, como o foco no trabalho, a redução do sofrimento e o bem-estar mental. Apesar dessa aplicação mais contemporânea, podemos dizer, são as ideias originais de Sidarta acerca da atenção plena que se mantêm bastante atuais, e não é necessário ser parte da religião para usufruir de suas reflexões para ter uma vida melhor. Entenda, a seguir, o significado de Mindfulness e como aproveitar o conceito para buscar sua paz no dia a dia.

Mindfulness de Buda à aplicação no Ocidente
O conceito de atenção plena surgiu como parte do Nobre Caminho Óctuplo, caminho base para o budismo de Sidarta Gautama. Pensado aqui como forma de libertação espiritual, o Mindfulness aparece sob o termo sati, que significa “recordação” ou, justamente, “atenção plena”. Aqui, a prática acontece por meio de meditação e a busca é por reconhecer “verdades”, como a fugacidade da existência e outras reflexões determinantes para alcançar essa libertação.
O Mindfulness vem a partir do Caminho do Meio, reflexão que afasta os excessos, positivos ou negativos, como forma de reconhecer e superar o sofrimento. A ideia de atenção plena correta (Sammã-sati) é tida como o sétimo elemento do Nobre Caminho Óctuplo, e sua prática compreende o foco, mas vai além. No budismo, a busca é por ética e libertação. Para isso, quatro campos de atenção foram levantados contemplando corpo, sensações, mente e, por fim, seus fenômenos. Todos os caminhos levam para um reconhecimento geral de condições físicas e psíquicas como forma de chegar à verdadeira libertação espiritual.
Apesar dessa base na religião, o Mindfulness como conhecemos hoje chegou ao Ocidente como uma forma de terapia, como busca por autoconhecimento. A partir disso, no final dos anos 70, tornou-se oficialmente uma filosofia aplicada na psicologia: o MBSR, do inglês Mindfulness-Based Stress Reduction. Aqui, a teoria aponta o caminho de forma mais prática, aplicada ao foco do dia a dia para combater não só o estresse, como o próprio nome diz, mas também dores físicas e a ansiedade, mal tão comum nos tempos atuais.
“A paz vem de dentro. Não a procure à sua volta”
Sidarta Gautama
Mindfulness e a aplicação nos dias de hoje
Se na religião a busca é por libertação espiritual, na aplicação filosófica (ou mesmo terapêutica), o Mindfulness tem atuação central na vida cotidiana. Com os ensinamentos de Sidarta, é possível alcançar o equilíbrio de corpo e mente para lidar com problemas, viver em sociedade e também evoluir suas habilidades, tanto nos estudos quanto no trabalho. Aqui, o foco é ponto central. É ele que vai permitir o cumprimento de objetivos pessoais, por exemplo.
Mas o Mindfulness não pode ser visto como uma ferramenta atual para benefícios capitalistas, digamos assim, como busca por metas, evolução profissional e sucesso financeiro. A filosofia vai além, passando pela monotonia do dia a dia e também pelos prazeres da vida. O conceito de Carpe Diem, por exemplo, apesar de Ocidental, pode ajudar a descrever bem o “viver o agora” defendido por Sidarta no sati. “Não habite no passado, não sonhe com o futuro; concentre a mente no momento presente”, frase atribuída ao Buda, é um exemplo disso. Trazendo para uma situação cotidiana, é possível aproveitar um simples trajeto de casa para o trabalho focando no momento, na vista, nas pessoas, no bonito e no imperfeito. Ou mesmo relacionar o uso de celulares para filmar um show a uma fuga do momento, quando o foco no que está acontecendo (ao invés da reprodução de algo que não em o mesmo sentido do fato em si), o que pode ser revertido com o hábito de evitar essa prática em prol do “viver o agora”.
Mas chegar a isso não é uma tarefa fácil, já que envolve uma concentração no eu e no momento que nem sempre a vida real permite. Portanto, o Mindfulness se faz presente a partir de meditações, mas também exercícios de respiração equilibrada, reflexões que aproximem o indivíduo do autoconhecimento, observação do mundo ao seu redor e, também, prática da ética, seja no trabalho ou no dia a dia.




