🟡 Quem foi Sidarta Gautama? Conheça História do primeiro Buda que existiu

Apesar do nascimento em berço de ouro, Sidarta aprendeu com a vida fora do palácio a abdicar dos luxos e fundou as bases da religião budista

Sidarta Gautama foi o primeiro Buda, o pensador responsável pelos fundamentos que deram origem à religião (e filosofia) por volta do ano 528 a.C. Filho do rei Suddhodana e da rainha Maya, do clã Shakya, localizado onde hoje fica o Nepal, Sidarta viveu boa parte da vida sendo protegido da vida externa; apenas com 29 anos deixaria o palácio para abdicar dos luxos, deixando sua família para trás para se tornar um asceta, ou seja, passou a dedicar sua existência às meditações e à espiritualidade. Ele, entretanto, só foi se tornar Buda mais tarde, após alcançar a iluminação em Bodh Gaya, já com 35 anos. Ali, Sidarta chegou ao Nirvana, estado de espírito que liberta o homem do ciclo da vida e também do sofrimento. A partir daí, vieram ideias como o Nobre Caminho Óctuplo, que envolve práticas éticas e sabedoria para alcançar a paz interior.

Do choque de realidade, mais jovem, vieram também as Quatro Visões, que levaram à percepção do sofrimento humano, e o Caminho do Meio, que repulsa excessos. O budismo se baseia nos ensinamentos do Dharma, uma aceitação do sofrimento como verdade, assim como do caminho para superá-lo através dos conceitos básicos dessa filosofia de vida. A seguir, conheça mais sobre a história de Sidarta e seus ensinamentos, que são elementares ainda hoje para ter uma vida melhor no dia a dia.

Filho de rei, vida de palácio e descoberta das mazelas da vida

Sidarta nasceu por volta de 560 a.C., filho dos reis (ou líderes) do clã Shakya. Por conta dessa condição privilegiada, ele cresceu em meio a os luxos da chamada “vida de palácio”. Além de garantir uma vida bastante abastada, a condição social de Sidarta também o protegia de certa forma das mazelas da vida “real”, o que contribuiu para o choque sentido ao ter seus primeiros contatos com a realidade do mundo.

Mas essa proteção não vinha apenas da posição na sociedade: sua família e outras pessoas do reino que participaram de sua vida também o faziam porque ele era sucessor natural de seu pai Suddhoana ao trono do clã Shakya. Portanto, tratava-se de um futuro rei, que precisava chegar à fase adulta sem ter contato com as mazelas, assim como com ensinamentos religiosos, segundo relatos.

Mas tudo mudou quando Sidarta resolveu ir além dos muros do palácio. Fora de seu mundo reservado, ele teve uma experiência que marcou sua vida e foi fundamental para as reflexões que baseiam a religião budista: as Quatro Visões. Basicamente, Sidarta viu a doença, a velhice, a morte e a religião como alternativa, através de um homem mal de saúde, um velho, um cadáver e um asceta rezando. Isso aconteceu quando Sidarta tinha 29 anos, por volta de 530 a.C.

“Toda grande caminhada começa com um simples passo”. 

Sidarta Gautama

Vida sem luxos e o Caminho do Meio

Após as Quatro Visões – ou Quatro Sinais -, Sidarta escolheu seguir sua vida e uma forma diferente: abdicando dos luxos e seguindo o exemplo do asceta visto nessa saída do palácio. Dessa forma, abandonou sua família – à época, já casado e com um filho – e, segundo relatos, passou seis anos vivendo de maneira isolada em uma floresta, seguindo ensinamentos de mestres religiosos.

Nesse momento da vida, Sidarta flertou com a morte ao buscar o domínio do corpo e do próprio sofrimento. As privações envolviam jejuns, e longas meditações, levando seu corpo ao extremo. Durante essas reflexões, Sidarta percebeu que os extremos, sejam eles para o bem ou para o mal, não servem ao caminho da vida. Assim nasceu o conceito de Caminho do Meio, como uma tensão ideal para o fio da vida na busca pela paz interior, equilibrando suas energias e permitindo o controle de corpo e alma.

A iluminação de Sidarta e a fundação do Budismo

O momento de iluminação de Sidarta Gautama veio durante uma meditação embaixo da Árvore Bodhi que teria durado cerca de 49 dias, quando prometeu levantar apenas depois que chegasse a uma resposta sobre a verdade e a felicidade duradoura. Após uma longa noite, Sidarta compreendeu a verdadeira natureza da existência. Foi ali que se tornou Buda, superando dias de questionamentos e ilusões rumo à iluminação.

Buda então enxergou as Quatro Nobres Verdades sobre a vida humana, com o reconhecimento do sofrimento (Dukkha), a origem desse sofrimento no apego (Samudaya), a possibilidade de se superar esse sofrimento (Nirodha) e, por fim, o caminho para chegar lá, através do Nobre Caminho Óctuplo (Magga). Essas ideias foram trazidas em seu primeiro sermão, ao apresentar o Dharma, com suas teorias sobre o sofrimento e sua superação, e fundar o Sangha, primeira comunidade de monges para passar adiante seus conhecimentos.Buda passou então o restante de sua vida dedicado à religião e seu desenvolvimento, viajando e levando seus ensinamentos sobre sofrimento, ética, Mindfulness (atenção plena) e a busca pela paz interior para além do mundo externo. Sidarta Gautama faleceu com cerca de 80 anos, em 483 a.C., em território onde hoje fica a Índia. Suas ideias, entretanto, seguem presentes até hoje entre a religião e a filosofia de vida.

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Yuri Hildebrand

Yuri Hildebrandt (32) é jornalista de formação e filósofo por curiosidade insaciável. Com passagens por redações e uma vida dedicada à apuração dos fatos, ele descobriu que as grandes questões do mundo – da ética à política, da tecnologia às relações humanas – pedem um olhar que vai além da superfície.. É essa mistura de rigor jornalístico e profundidade filosófica que ele traz para cada análise publicada aqui. Seu compromisso é traduzir os pensamentos mais complexos em linguagem clara, sem perder a essência do debate. Se há um tema que merece reflexão, ele está mergulhado de cabeça.

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